Figura incontornável da rádio portuguesa, Luís Filipe Barros marcou toda uma geração com o lendário programa "Rock em Stock", ansiosamente ouvido pela juventude dos anos 80. O êxito do programa, que acabou por elevar Barros a ícone do éter nacional, residia não só no impressionante ritmo que o seu autor imprimia à locução mas também às fantásticas playlists, baseadas em discos importados e em seminais gravações de algumas das figuras maiores do então emergente Rock Português. As histórias que ao longo dos anos LFB (ou "Berros", como se tornou conhecido) contou sobre música punham a nu as fragilidades e loucuras dos grandes ícones das massas, tornando-se rapidamente lendárias e proporcionando às emissões de "Rock em Stock" fabulosos níveis de audiência. Desse conceito resulta agora o livro Mais Estórias da Música, com prefácio de Francisco José Viegas e edição da DisLivro.
Divertido e de leitura rápida, o volume agradará certamente aos melómanos, que nele descobrirão curiosidades e histórias nunca antes imaginadas (e algumas nunca antes contadas) de lendas do Rock como Elvis Presley, Ozzy Osbourne, The Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, Elvis Costello ou Cliff Richard, entre centenas de outros.
Infelizmente, os sucessivos atentados à língua portuguesa (na maior parte das vezes erros crassos), em especial ao nível das vírgulas (que teimam em não ocupar os seus devidos lugares) mancham a obra, a mística do autor e perturbam a leitura de forma sistemática - prova-se assim, mais uma vez, que bons profissionais de uma dada área não devem aventurar-se noutras que não dominam, pelo menos sem auxílio especializado, sob pena de fazerem asneira.
Alguns exemplos apenas: “Corria tudo pelo melhor, quando a nossa BB, se aproveitou do evento (...) - página 55, 9ª linha; “Chubby Checker, foi um verdadeiro fenómeno (...)” - página 60, penúltima linha; “ Em 1968 Gus Legend, ajudou na compsição (...)” - página 70, 14ª linha; “As histórias dos fãs de Ozzy não se ficam atrás das suas, sendo tudo, menos banais.” - página 162, 14ª linha. Se a isto juntarmos fenómenos como “Uniceff” (atenção aos dois “f”), na primeira linha da página 105, ficamos com uma visão mais ou menos abrangente do que poderemos encontrar neste volume.
Por outro lado, uma enorme percentagem dos textos começa sem que seja indicado o grupo/artista a que dizem respeito, tendo o leitor que consultar o último parágrafo (a seguir ao qual se encontra identificado o sujeito e respectivo site) ou o índice para saber a quem se refere a prosa. Nada intuitivo, portanto. Finalmente, o ritmo de leitura é quebrado de forma quase sistemática por parágrafos sem razão de existir. Uma edição e revisão cuidadas são altamente aconselháveis para uma eventual nova prensagem.
Dico
Luís Filipe Barros assina de segunda a sexta-feira a rubrica "Outras Histórias da Música" (01:40/ 06:40/ 08:55), na Antena 1, podendo também ser ouvido entre as 00h00 de sexta-feira e a 01h00 de sábado (com repetição às 17h00) no programa "Ondas Luisianas".









