Domingo, 19 de Setembro de 2010

Os extremos tocam-se

Este texto foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico

Para nos falar da vida louca na estrada quem melhor do que os lunáticos Mötley Crüe? A banda fá-lo, e muito bem, através da sua biografia oficial, intitulada The Dirt – Confessions of the World’s Most Notorious Rock Band. Escrito pelo jornalista do “New York Times” Neil Strauss com o auxílio da banda, managers, promotores e representantes da editora, o livro aborda em pormenor a infância e juventude dos membros do grupo, bem como a formação, ascenção e queda do mesmo. The Dirt relata bem o deboche, toxicodependência, alcoolismo, violência, insanidade, êxito e desgraça que foram as vidas de Vince Neil (voz), Mick Mars (guitarra), Nikki Sixx (baixo) e Tommy Lee (bateria), separadas ou em conjunto, até ao final dos anos 90. Da vertigem do êxito planetário às tragédias pessoais tudo é minuciosa e despudoradamente relatado nesta obra essencial. Um segundo volume estará em prepração, versando a história do grupo na última década.

Do Glam Metal repleto de laca passamos ao extremo do Death/Grind porco e brutal. Escrito por Albert Mudrian, jornalista profissional e editor desde 2004 da revista norte-americana “Decibel”, Choosing Death – The Improbable History of Death Metal and Grindcore aborda as raízes destes géneros musicais, estabelecidas na vaga Punk do final dos anos 70. Desde o Grind britânico, passando pelo Death Metal brutal da Flórida ou o Death melódico da Suécia, terminando nas sonoridades modernas praticadas por bandas como os Arch Enemy ou Hate Eternal, a retrospetiva histórica apresentada na obra não poderia ser mais completa.

Detalhado, intenso e muito bem escrito, Choosing Death apresenta declarações inéditas de figuras centrais na história do Death/Grind: músicos, produtores, A&R’s e outras personalidades sem as quais o género não seria o que é hoje. Uma obra de leitura essencial para fãs de música extrema que desejem aprofundar os seus conhecimentos musicais.
Dico

Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010

Metal no Islão

Este texto foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico

Testemunho da ausência de direitos, liberdades e garantias básicas na grande maioria dos países do Médio Oriente, Heavy Metal Islam: Rock, Resistance, and the Struggle for the Soul of Islam, de Mark Levine, aborda as restrições a que música em geral e o Som Eterno em particular estão sujeitos nos países islâmicos em que o respeito pelos direitos civis é uma miragem. O autor entrevista músicos desde Marrocos ao Paquistão, incluindo muçulmanos, cristãos e judeus que, face à corrupção, repressão, miséria e violência a que muitos estão diariamente sujeitos usam a música para exorcizar fantasmas, expressar opiniões e sobreviver às adversidades.

Mas o grau de independência é variável – por exemplo, enquanto os músicos e fãs israelitas não estão submetidos a restrições culturais ou outras (os próprios Orphaned Land são amplamente admirados pelos fãs árabes), os headbangers egípcios arriscam ser presos e torturados por usarem cabelo comprido. Certo é que, neste livro, os músicos citados lutam diariamente por significativas reformas culturais, sociais, políticas e económicas nos respetivos países. Aliás, o autor defende que, se encontrassem uma forma de cooperar com ativistas religiosos progressistas e com a classe trabalhadora, estes músicos poderiam iniciar uma profunda revolução no mundo árabe. Utopia?

Por outro lado, o documentário Heavy Metal in Bagdad (www.heavymetalinbaghdad.com/), lançado em DVD e apresentado nos festivais internacionais de Toronto e Berlim mostra que a génese de algo importante estará a formar-se. Serão os iraquianos Acrassicauda, protagonistas do filme, a esperança do Metal no Médio Oriente?

Ainda será prematuro afirmá-lo, sendo no entanto certo que a admirável luta desta banda para se manter junta num país envolto no caos social, militar e económico, desconhecedor dos básicos direitos, liberdades e garantias a que todo o ser humano deveria ter acesso, constitui um meritório exemplo de persistência para inúmeras bandas ocidentais que desistem à primeira dificuldade. Incontestável símbolo de resistência, os Acrassicauda representam uma nova geração de iraquianos ávidos por liberdade, qualidade de vida e globalização.

Associado ao filme está o livro Heavy Metal in Baghdad – The Story of Acrassicauda. Nele se retrata igualmente a luta desta banda que, à sua maneira e de forma bem merecida, já conquistou um lugar na história do Metal. Não esqueçam o nome Acrassicauda que, a par dos Orphaned Land, é um dos poucos grupos mundiais a abordar a guerra nas suas letras com conhecimento de causa. Impõe-se ainda uma visita ao Myspace da banda, onde podemos ouvir espantosos malhões do EP Only the Dead See the End of the War.
Dico

Sábado, 21 de Agosto de 2010

Uma mão-cheia de sugestões

Este texto foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico

Após uma breve ausência motivada por umas retemperadoras férias cá estamos de regresso para sugerir aos nossos leitores alguns itens extremamente interessantes no que a recursos musicais diz respeito. Desta vez, são nada mais nada menos do que cinco obras em destaque: três enciclopédias e dois documentários. Mas vamos ao que interessa, sem perdermos mais tempo!

Jornalista, editor e escritor, o norte-americano Joel McIver (www.joelmciver.co.uk/) assina uma vasta bibliografia de livros sobre música, cujo número ascende já a 16. Especialmente ativo na área do Metal, mas com incursões no Rock, no Punk, na Soul, no Rap e no Funk, o autor abrange campos diversos igualmente no que se refere aos conteúdos, redigindo biografias, enciclopédias e making ofs. Neste caso, interessa-nos abordar os dois volumes da enciclopédia Extreme Metal, que fornecem ao leitor uma ampla visão do passado, presente e futuro do Metal extremo.

Dos primórdios do Black Metal com os Venom, Bathory e Mercyful Fate e da génese do Thrash Metal com os Metallica, Slayer ou Anthrax, passando pelo Death Metal, Grindcore, Doom Metal, Gothic Metal, Hardcore, Crossover, Power Metal americano e Nu Metal, a dupla obra apresenta biografias mais ou menos extensas, curiosidades, discografias selecionadas, fotos e capas de álbuns. Recursos online, listas de bandas não incluídas e bibliografia são outras informações relevantes destas enciclopédias que os verdadeiros fãs de Metal irão certamente ler com avidez e ficar a saber mais, muito mais, sobre o género musical que os apaixona. Só não se entende a inclusão de bandas como os Stratovarius, Running Wild ou Queens of the Stone Age numa obra sobre Metal extremo. O autor terá, certamente, as suas razões para o fazer.

Raiz musical de milhões de fãs por todo o mundo, a New Wave of British Heavy Metal (NWoBHM), criada no final dos anos 70, gerou algumas das mais famosas bandas e álbuns na história da música em geral e do Metal em particular. The New Wave of British Heavy Metal Encyclopedia, de Malc Mcmillan, documenta precisamente a influência exercida em todo um género, que na última década se revitalizou.

Nesta obra os fãs irão descobrir onde e como tudo começou, bem como porque só alguns nomes sobreviveram. As entradas individuais abrangem desde os líderes incontestados do movimento (Iron Maiden, Saxon, Def Leppard) até obscuros grupos rapidamente esquecidos como Stormqueen ou Masterstroke. Em todos os casos são apresentadas discografias que constituem guias especialmente atrativos para os colecionadores. Rico em ilustrações, de onde se destacam várias fotos inéditas, reproduções de capas de álbuns e material de concertos, o livro inclui ainda importantes contribuições de músicos-chave do movimento mais glorificado pelos verdadeiros fãs de Metal. História pura, num volume essencial para leigos e conhecedores.

Quanto as vídeos, apresento-vos hoje dois documentários em DVD. O primeiro tem por título Heavy Metal – Louder Than Life e revela-se um magnífico documentário sobre a história do Som Eterno que aborda os vários aspetos relacionados com o género – a música, os executantes, o visual, as letras, a componente social, etc. Recorrendo a entrevistas com lendas vivas como James Hetfield (Metallica), Rob Halford (Judas Priest), Dee Snider (Twisted Sister), Scoot Ian (Anthrax) ou Jonathan Davis (Korn), bem como o recentemente falecido Ronnie James Dio (Dio/Heaven & Hell), o documentário, disponível em DVD duplo, inclui ainda uma perspetiva muito própria do universo do Metal elaborada por Dee Snider (vocalista dos Twisted Sister), uma cronologia do estilo desde os anos 60 até à atualidade e um guia de álbuns essenciais na história do Metal. Só não se compreende a omissão de bandas europeias dos anos 90 e 00. De qualquer forma, um documentário essencial.

Finalmente, Get Thrashed – The Story of Thrash Metal (www.getthrashed.com/), documentário já estreado em vários festivais de cinema alternativo e underground. Este é, possivelmente, o registo vídeo mais completo sobre a história de um género que marcou os anos 80 de forma indelével e deu à música extrema algumas das bandas e álbuns mais importantes de sempre. Get Thrashed aborda a ascensão, a queda e o impacto social do Thrash Metal desde a sua génese até à influência exercida no Grunge, no Nu-Metal e no Metal contemporâneo. Dezenas de entrevistas com músicos das mais importantes bandas do género tornam este documentário um item de consumo obrigatório para os fãs que se prezem. Mais informações em (www.myspace.com/getthrashed)
Dico

Sábado, 31 de Julho de 2010

Nova Revista de Música Sacra (NRMS)

Este texto foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico

Foi com total surpresa que um destes dias descobri, enquanto navegava na Web, a existência de uma revista nacional dedicada à Música Sacra, sob a designação "Nova Revista de Música Sacra" e com chancela da Comissão de Música Sacra da Arquidiocese de Braga. Referência no meio ecleseástico nacional (embora alvo de algumas críticas por conhecedores esclarecidos, como se pode ler num dos links disponíveis mais abaixo) a revista presta apoio litúrgico às paróquias do país e às comunidades portuguesas no estrangeiro.

O número acerca do qual encontrei informação é o 130, que já data de 2009. Tentei descobrir uma edição posterior mas a webpage da revista (www.ppcj.pt/csi/publica.html) encontra-se desativada. Uma breve consulta ao site oficial da Arquidiocese de Braga não revelou qualquer informação relacionada com o tema. Terá a publicação encerrado funções ou apenas a sua presença online?

De qualquer forma, na edição em análise são publicados seis cânticos dedicados aos Santos e Santas padroeiros, além de composições de Miguel Carneiro, Azevedo de Oliveira, António Cartageno, Fernandes da Silva e Joaquim dos Santos (nas pesquisas efetuadas na Internet não encontrei mais informação acerca dos conteúdos).

Segundo Nuno Costa, do blogue http://maestrojoaquimdossantos.blogspot.com, dedicado ao Padre e Maestro Joaquim dos Santos, o cântico desta figura incontornável da Música Sacra portuguesa publicado na edição 130 da NRMS intitula-se Tu es Petrus, é interpretado em Latim e "o seu complexo compreende uma voz solo masculina acompanhada a órgão e uma secção a 4 vozes mistas. Na presente publicação está em falta a parte da salmodia." Este link remete ainda para um outro em que Nuno Costa faz a apreciação crítica ao número 128 da publicação.
Dico

Domingo, 25 de Julho de 2010

Memórias do Rock Português (2º Volume)

Este texto foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico

Em Memórias do Rock Português (2º Volume), que possuo com dedicatória, à semelhança do primeiro volume, Aristides Duarte aprofunda o que havia iniciado no tomo inicial desta ambiciosa obra em que relata a história do Rock nacional entre os anos 60 e 90. Na presente edição o autor publica 19 biografias (por exemplo, de Adelaide Ferreira, Corpo Diplomático, José Cid, Satan's Saints, Grupo de Baile, Xeque-mate ou Mata-ratos) e 24 entrevistas com antigos elementos de bandas extintas (Manuel Barreto, dos Ananga-ranga; Luís Miguéns, dos Hosanna; António Garcêz, dos Roxigénio; Carlos Barata, dos Kama-Sutra; ou Jorge Trindade, dos Iodo) ou ainda em atividade (Luís Simões, dos Saturnia; Luís San Payo, dos Peste & Sido; Zé Leonel, ex-Xutos & Pontapés; ou António Manuel Ribeiro, dos UHF, que nesta edição assina um prefácio revisto e aumentado).

Ao longo das 252 páginas Duarte publica ainda reportagens de oito concertos assistidos entre 1978 e 2006, analisa criticamente o álbum Niguém Manda em Ti, dos Revolta e apresenta algumas curiosidades do Rock Português. O autor refere ainda outros grupos e artistas relevantes que não foram biografados ou entrevistados neste volume (os Dinosaur, aos quais pertenci durante dois anos, são aqui referenciados), apresenta uma listagem de blogues e sites dedicados ao Rock made in Portugal e publica fotos de concertos, além de memorablia diversa (imagens de bilhetes de espetáculos, capas de publicações musicais e cartazes de concertos). Uma obra absolutamente essencial para conhecer as origens das sonoridades portuguesas mais roqueiras e de todas as suas ramificações. Para quando um 3º volume?
Dico
A obra custa €13 + portes de correio e pode ser encomendada através do e-mail akapunkrural@gmail.com.

Blogue:http://rockemportugal.blogspot.com/

Domingo, 18 de Julho de 2010

Nu-Metal: uma história em livro(s)

Este texto foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico

Amem-no ou odeiem-no (eu estou à vontade para dizer que não gosto particularmente, excetuando uma ou outra banda), o Nu-Metal já cá esteve e marcou o Som Eterno de forma indelével, afirmando-se como uma das mais rentáveis mas igualmente efémeras modas alguma vez criadas no seio do Metal. Poucos são já os grupos sobreviventes de renome – Slipknot, Korn, Linkin Park, Deftones, Papa Roach ou os regressados Limp Bizkit são alguns exemplos -, até porque o género queima atualmente os últimos dos últimos cartuchos.

De qualquer forma, é tempo de recordar o legado que ficou. Para tal, nada melhor do que adquirir nas boas lojas online alguns livros essenciais sobre o género, que o abordam em perspetivas ora históricas, ora documentais, ora enciclopédicas. Comecemos pelos livros.

Se dúvidas houvesse que ao gravar «Bring the Noise» com os Public Enemy em 1987 os Anthrax fundaram as bases para o que viria a ser o Rap-Metal e o Nu-Metal as mesmas ficariam dissipadas em Rapcore: The Nu-Metal Rap Fusion. Contudo, já no ano anterior os Aerosmith e os Run DMC haviam lançado a semente numa versão conjunta de «Walk this Way». É daí que parte o autor, Dick Porter, nesta esclarecedora obra onde explica as características dos estilos musicais que estiveram na génese do Nu- Metal, destacando o Rock, o Metal, o Punk, o Rap e o Reggae.

O livro relaciona e explora ainda a obra de artistas tão díspares como Jimi Hendrix, Led Zeppelin, The Clash, George Clinton, Africa Bambaataa, Basement 5, Beastie Boys, Red Hot Chili Peppers, Faith No More ou Rage Against the Machine na fundação do género. Particular destaque assumem, naturalmente, as grandes estrelas – e outras nem tanto – do Nu-Metal. Um documento esclarecedor.

Por outro lado, Guitar World Presents Nu-Metal é um conjunto de artigos publicados na revista americana “Guitar World” que mostram os mais impressionantes segredos dos músicos que no auge do estilo arrebataram milhões de fãs. O livro inclui ainda várias entrevistas bastante elucidativas com os Staind, Korn e Disturbed, entre outros, onde são abordados assuntos como as influências dos músicos.

Para os mais afoitos a experimentar na guitarra os melhores acordes que fizeram a história do Nu-Metal, The Essential Nu-Metal Playlist: for Guitar TAB constituirá um recurso indispensável, quer para iniciados quer para músicos evoluídos no que à técnica e à leitura de pautas diz respeito. Obrigatório para aprender a tocar os grandes clássicos do género.

Finalmente, Nu-Metal: The Next Generation of Rock and Punk lança um olhar alfabeticamente organizado (ou não fosse este livro também uma enciclopédia) sobre um estilo inusitadamente odiado. No total, inclui mais de 100 grupos inseridos no Rap Rock, Rap Metal, Funk Metal, Punk/Hardcore ou Metal Industrial. Dos Limp Bizkit, Korn, Slipknot, Deftones ou Linkin Park, passando pelos Marilyn Manson, Soulfly, Tool, Amen, At the Drive-In e System of a Down, até aos pioneiros do género - Primus, Faith No More, Rage Against the Machine ou Biohazard -, nenhuma banda importante é esquecida. De facto, o contributo dos One Minute Silence, A Perfect Circle, Coal Chamber, Orgy, Alien Ant Farm, Godsmack e Videodrome para o género é recompensado nesta obra de Joel McIver, que mergulha o leitor nas raízes profundas do Nu-Metal.

Para finalizar, uma curiosidade, sob a forma do documentário em VHS (sim, VHS, leram bem) Korn Unauthorized: R-U-Ready?, lançado já em 1999 e disponível em segunda mão no eBay. Os menos puristas encontram o produto igualmente à venda na versão DVD. A não perder!
Dico

Quinta-feira, 15 de Julho de 2010

Desta é de vez!

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Caros leitores/cibernautas, penitencio-me novamente por esta prolongadíssima ausência de novos posts neste blogue. Não, o Musicalis não foi abandonado nem encerrou. Os leitores mais próximos do blogue chegaram a julgar que tal se tinha verificado, pelo que lhes agredeço toda a paciência e as manifestações de apoio que me endereçaram, inspirando-me a continuar.

O que inviabilizou a publicação de posts durante este longo período foi tão só um variado conjunto de aspectos: trabalho, questões pessoais, frequência de exigentes ações de formação, falta de tempo e, por via do cansaço acumulado, alguma falta de vontade. No entanto, fica a promessa de que, a partir de hoje, este espaço será religiosamente atualizado pelo menos uma vez por semana.

Outra novidade é o facto de o Musicalis passar a adotar o Acordo Ortográfico, pelo que todos os textos serão escritos segundo as regras previstas no mesmo. Uma breve chamada de atenção no início de cada artigo alertará o leitor para o facto, como aliás já debem ter reparado neste mesmo post.

Boas leituras e muito obrigado a todos pela dedicação.
Dico

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Metal, Rock, and Jazz: Perception and the Phenomenology of Musical Experience

Metal, Rock, and Jazz: Perception and the Phenomenology of Musical Experience, ambicioso estudo académico de Harris M. Berger, analisa quatro diferentes cenas musicais do estado norte-americano do Ohio entre 1992 e 1993: o Hard Rock e o Jazz Afro-americano em Cleveland, por um lado; e o Death Metal e o Jazz Euro-americano em Akron, mostrando como os executantes se relacionavam com o universo sonoro na criação de experiências musicais inovadoras.

Mas ao contrário da perspectiva meramente académica da maioria dos estudos anglo-saxónicos sobre música, esta obra baseia-se num intenso trabalho empírico, baseado na observação participante, de que resultaram inúmeras entrevistas em profundidade. As descrições pormenorizadas do quotidiano dos bares de Metal e dos clubes de Jazz então existentes naquelas localidades certamente apaixonarão, também, os leitores.

Destaque para as entrevistas com Tim "Ripper" Owens (actualmente vocalista de Yngwie Malmsteen, Hail!, Beyond Fear e Charred Walls of the Damned), na época em início de carreira e mais tarde vocalista de bandas como Iced Earth e Judas Priest, que, a par de outros executantes, partilha algumas das suas mais importantes experiências enquanto músico, simultaneamente desafiando as noções tradicionais de harmonia e estrutura musical.

Recorrendo a conceitos teórico-práticos, Berger mostra a percepção musical como algo intrínseco à sociedade, residindo nesta concepção um dos principais motivos de interesse da obra, incontornável dos pontos de vista artístico, social e lúdico.
Dico

Texto originalmente publicado no blogue Música de Peso

Sábado, 30 de Maio de 2009

O Efeito Mozart

É do conhecimento geral a magia exercida pela música na vida humana, a forma como determina o comportamento, humor e até sentimentos da espécie. O que ninguém sabia, até 1993, é que a música melhora o nosso desempenho em tarefas cognitivas que exigem competências espácio-temporais. A esta descoberta e suas técnicas de aplicação atribui-se o nome de "Efeito Mozart", já que a obra do compositor austríaco foi a primeira a revelar-se excepcionalmente eficaz para tratar o corpo, a mente a alma. Mas essa não é a principal razão.

Como se escreve na página 51 do livro, "Porque não chamar aos poderes transformadores da música o Efeito Bach, o Efeito Beethoven, ou o Efeito Beatles? É meramente por Mozart ser mais estimado do que génios como Beethoven, Gershwin ou Louis Armstrong? Ou a sua música tem propriedades únicas, despertando reacçõs universais que só agora se prestam a ser medidas?"

A resposta, inequívoca, vem logo a seguir. "Tomatis colocou as mesmas questões. E constatou, repetidamente, que independentemente dos gostos do ouvinte ou exposição prévia ao compositor, a música de Mozart invariavelmente acalmava os ouvintes, melhorava a percepção espacial e permitia-lhes expressarem-se com mais clareza - comunicando simultanemanete com o coração e a mente. Verificou que Mozart obtinha indiscutivelmente os melhores resultados e reacções a longo prazo (...). Claramente, os ritmos, melodias e altas frequências da música de Mozart estimulam e carregam as regiões criativas e motivadoras do cérebro. Mas talvez a chave da sua grandeza seja o facto de o som ser tão puro e simples." (...)

Na página seguinte, o autor avança uma provável explicação para os magníficos resultados da obra do compositor neste âmbito: (...) "«Ele tem um efeito, um impacto, que os outros não têm. Excepção entre excepções, ele tem um poder libertador e, diria mesmo regenerador. A sua eficácia excede de longe o que observamos nos seus antecessores (...) nos seus contemporâneos ou nos seus sucessores.»"

Aliás, "o poder único e invulgar da música de Mozart brota provavelmente da sua vida, especialmente das circunstâncias que roderam o seu nascimento. Mozart foi concebido num espaço raro. A sua existência pré-natal foi diariamente imbuída de música, especialmente dos sons do violino do pai, que quase de certeza ampliaram o seu desenvolvimento neurológico e despertaram os ritmos cósmicos in utero. O pai era um kapellmeister, ou director musical, em Salzburgo e amão, filha de um músico, desemepnhou toda a vida um papel na sua educação musical, começando com canções e serenatas durante a gravidez. Devido a este ambiente musical superior, Mozart nasceu já saturado de música - moldado por ela."

Não se julgue, porém, que só a Música Clássica em geral e a de Mozart em particular encerram propriedades terapêuticas. Sabe-se hoje que, independentemente do género, a música constitui uma preciosa ferramenta para tratar o corpo, fortalecer a mente e potenciar a criatividade.

Da autoria de Don Campbell e lançado em Portugal pela Estrela Polar, O Efeito Mozart é um clássico da musicoterapia, mas também do autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Uma obra interessantíssima, de leitura obrigatória para quem pretende conhecer-se melhor e sentir na pele as qualidades terapêuticas da música.
Dico

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Rock Stars

Lançada em Setembro de 1983 pelo Círculo de Leitores, esta obra documenta fotograficamente cinco anos de concertos Rock em Portugal (de 1978 a 1982). O devido enquadramento sócio-cultural é feito sob a forma de um interessantíssimo prefácio e retrata um país na ressaca do 25 de Abril.

Em Rock Stars - Cinco Anos de Rock em Portugal,de Ana Rocha e Fernando Peres Rodrigues, somos transportados numa viagem nostálgica à época em que as grandas bandas internacionais começavam timidamente a deslocar-se ao canto Sul da Europa, protagonizando espectáculos históricos. Desde as primeiras visitas das Girlschool, Police, Ian Gillan Band, Duran Duran, Status Quo, Supertramp, Iggy Pop ou The Tubes, passando pelas deslocações únicas, até hoje, dos UFO, Rainbow, Huriah Heep, Thin Lizzy ou Nazareth, passando pelos Ramones, Chuck Berry, Camel, Stranglers, Cheap Trick, Clash ou Pearl Harbour, este livro pioneiro recorda-nos momentos inesquecíveis ou faz-nos simplesmente imaginá-los.

Descontinuado e, portanto, já só disponível em bons alfarrabistas, Rock Stars tem capa dura, formato A4 e 132 páginas. Esta obra teve o mérito de iniciar a minha cultura musical, numa fase em que havia descoberto o Heavy Metal há apenas um ano. De consulta obrigatória para melómanos do Rock.
Dico

Domingo, 24 de Maio de 2009

Editorial

Editorial
Antes de mais, redimo-me perante todos os leitores/cibernautas pelos vários meses de stand-by que o Musicalis viveu. Foram várias as circustâncias que ditaram esta hibernação forçada, mas todas já estão sanadas e as sugestões de livros, filmes, documentários, revistas, jornais e sites sobre música vão regressar com regularidade ao Musicalis, desde já. Fiquem então com a biografia de Bruce Dickinson, vocalista dos Iron Maiden.
Dico


Bruce Dickinson: Flashing Metal with "Maiden" and Flying Solo é a incrível biografia do mítico vocalista dos Iron Maiden, cuja carreira musical abrange ainda os Samson, uma das primeiras bandas da New Wave Of British Heavy Metal (NWoBHM) e uma bem sucedida carreira a solo.

Mas a contagiante energia do músico, a par da sua enorme cultura e inteligência confere-lhe uma visibilidade que ultrapassa em muito os palcos – na rádio, o pequeno grande homem leva a cabo, há anos, um programa de autor na rádio digital BBC 6Music. Na literatura distingue-se já como autor de best-sellers de ficção e de História, tendo igualmente apresentado programas nos canais televisivos Discovery Channel e Sky One.

Além disso, já alcançou os lugares cimeiros em importantes campeonatos de esgrima e é actualmente comandante da companhia área comercial Astreus, num de cujos aviões se fez deslocar com toda a banda na mais recente digressão, que no ano passado aterrou em Lisboa para o Super Bock Super Rock.

Portanto, este fantástico livro descreve a apaixonante personalidade e capacidade de trabalho do homem que nunca pára através uma cuidada biografia e de entrevistas exclusivas que percorrem toda a sua carreira nas diversas vertentes. Indispensável para os verdadeiros fãs.
Dico

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Tour: Smart: and Break the Band

Tour: Smart: and Break the Band, é a bíblia incontestada para qualquer banda que pretenda conhecer o mundo das digressões e fazer-se à estrada minimizando a infinidade de eventuais imprevistos e problemas.

Magistralmente escrito por Martin Atkins, antigo baterista de bandas como P.I.L., Killing Joke, Nin Inch Nails ou Ministry, Tour: Smart: and Break the Band apresenta-nos 564 páginas de preciosos conselhos, testemunhos, dicas e truques sobre planeamento de rotas, transportes, contactos com promotores e jornalistas, roadies, escolha das salas e cidades onde actuar, realização de orçamentos, agendamento de espectáculos, marketing, contratos, sexo seguro, utilização ponderada de álcool e drogas, etc.

O autor recorre sempre a exemplos, imagens, fotos, mapas, gravuras, esquemas e outras ferramentas gráficas imprescindíveis a uma rápida e eficaz compreensão da mensagem. O destaque a negrito, nas margens, de frases-chave, constitui outra estratégia bem conseguida. Extremamente bem organizado, Tour: Smart: and Break the Band não esquece o mais ínfimo pormenor que, para um colectivo em início de carreira, poderá revelar-se catastrófico.

Mas, ciente de que esta obra não é definitiva, Atkins criou o site www.stouring.com, com actualizações ao livro e um participadíssimo fórum. Leitor, se tem uma banda e planeia levá-la para a estrada não necessita de aprender com os seus próprios erros -aprenda com os do autor.
Dico

In http://musicadepeso.blogspot.com

Sábado, 20 de Setembro de 2008

Memórias do Rock Português

Rui Veloso é o "pai" do Rock Português, certo? Errado! "Errado?", perguntam, incrédulos, os leitores deste blogue. Com efeito, no final dos anos 50 e toda a década de 60 surgiram inúmeros grupos Ié-Ié (a versão portuguesa do Rock'n'Roll importado de Inglaterra e dos Estados Unidos) que ganharam fama nos concursos e bailes organizados na época, tendo muitos chegado a gravar singles e EP's com assinalável êxito. Diamantes Negros, Ekos, Conjunto Mistério, Os Claves, Zoo, Sheiks, Beatnicks, Shadows Portugueses, Tártaros, Titãs ou Jotta Herre são algumas dessas referências.

Se não escamotearmos ainda artistas como Aníbal Miranda, Os Plutónicos (mais tarde conhecidos como Ferro & Fogo), Quarteto 1111 ou Pop Five Music Incorporated e, ao entrar nos anos 70, recordarmos os Aqui D'El Rock, Ananga-Ranga, Tantra, Petrus Castros ou Psico facilmente percebemos que há uma longa história do Rock luso pré-Rui Veloso. É isso mesmo que verificamos na terceira edição, revista e aumentada, de Memórias do Rock Português (que possuo com dedicatória), escrito e editado pelo escritor / professor Aristides Duarte.

Com prefácio de António Manuel Ribeiro, líder dos UHF, a obra apresenta uma breve história do Rock nacional, desde os primórdios à actualidade. Contudo, as 54 biografias seleccionadas representam a maioria dos conteúdos. Para enriquecer ainda mais o livro, Duarte incluiu várias fotos, capas de discos, bilhetes e cartazes de espectáculos, recortes de jornais e uma rigorosa selecção da discografia essencial do Rock Português. De referir que o segundo volume da obra - obrigatória para compreender as raízes e desenvolvimento do Rock em terras lusas - se encontra já em preparação. Enquanto o mesmo não chega impõe-se uma visita ao blogue Rock em Portugal, que Aristides Duarte publica há mais de três anos. O autor pode ser contactado através do e-mail akapunkrural@gmail.com.
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Metal: A Headbanger's Journey / Global Metal

Metal: A Headbanger's Journey, é um documentário resultante de apurada investigação do antropólogo canadiano Sam Dunn acerca das origens e impacto sócio-cultural do Som Eterno (vulgo Metal). Para cumprir esse desígnio Dunn visitou o Reino Unido, a Alemanha, a Noruega e os Estados Unidos na companhia de Scot McFadyen, guionista e realizador de cinema.

Estreado no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá, em 2005, e lançado no ano seguinte em DVD simples e duplo, Metal: A Headbanger’s Journey constitui uma rigorosa investigação académica e jornalística, em que se tenta perspectivar, de dentro para fora – e de forma lúdico-didática -, a visão que os fãs de Metal em particular e a sociedade em geral têm do género.

Intensa e empolgante, a obra apresenta, no DVD 1, vários capítulos, que abordam assuntos como as origens do termo "heavy metal", as características da sonoridade, as suas raízes, o comportamento dos fãs, a cultura do estilo, a censura a que é submetido (com menção obrigatória ao PMRC), género e sexualidade (Glam Metal, machismo e o advento das bandas femininas são os temas abordados) ou religião e satanismo.

O DVD 2 apresenta a árvore genealógica do género, com a história dos vários subgéneros, um mini-documentário acerca do Black Metal norueguês (que aborda as origens do estilo, a mitologia nórdica e o satanismo, dando especial ênfase aos trágicos acontecimentos do início dos anos 90), a íntegra das entrevistas com músicos famosos disponíveis no DVD 1 e um trailer. Igualmente disponível está a banda sonora do filme, com 16 temas de outras tantas bandas. Mais informações no site ou no MySpace oficial.

Já a rodar nalguns cinemas europeus e não só está Global Metal, a sequela de Metal: A Headbanger's Journey. Nesta segunda parte – ainda não disponível em DVD mas sobre a qual certamente falaremos quando chegar ao mercado – Dunn e McFadyen propõem-se avaliar o impacto cultural e social da música pesada em culturas longínquas. Para isso, os investigadores exploram as cenas metaleiras da Ásia, América do Sul e Médio Oriente.

Do Death Metal indonésio ao Black Metal chinês, sem esquecer o Thrash Metal iraniano, Global Metal apresenta uma enorme riqueza musical proveniente de sociedades reprimidas, dominadas pela fome, terrorismo, corrupção, fanatismo religioso e conflitos armados. O cenário ideal para a emergência de fervorosos cenários underground. Já disponível em duplo CD, a banda sonora do documentário inclui 18 temas. Mais informações em www.myspace.com/globalmetalsoundtrack e www.myspace.com/globalmetalfilm.
Dico

In http://musicadepeso.blogspot.com

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

Cinemateca exibe ciclo de cinema documental sobre música

Começa hoje, na Cinemateca, o ciclo de cinema documental "Rock numa noite de Verão",com o documentário "Monterey Pop". No total, são 12 filmes sobre música, exibidos na esplanada da Cinemateca entre quinta-feira e sábado à noite. As películas abrangem várias épocas da Pop/Rock mundial, tendo os Pink Floyd, The Rolling Stones, Led Zeppelin, Jimmi Hendrix e The Beatles alguns dos protagonistas destes documentários e filmes concerto. A programação encontra-se disponível aqui.

Ópera

Numa narrativa de inegável beleza, Ópera, da autoria de Alan Riding e Leslie Dunton-Downer, abrange quatro séculos de história no teatro musical, entre o fim do Renascimento italiano e a actualidade. Dirigida a leigos, visto que apresenta sinopses de mais de 160 óperas de todo o mundo, mas também a conhecedores, dadas as suas características enciclopédicas, a obra cumpre na perfeição o objectivo dúplice que encerra.

Rigorosos e detalhados, embora resumidos, os textos constituem uma mais-valia de peso neste livro, marcado por uma rara beleza gráfica. As fotos, ilustrativas de algumas das mais importantes obras, captam sem mácula a alma de representações inesquecíveis em prestigiadas salas mundiais, impressionando no realismo que transmitem. Inserido na colecção "Guias Essenciais" da DK, Ópera inclui 402 páginas de requinte, bom gosto, apresentação luxuosa e conteúdos magistralmente seleccionados.
Dico

Sábado, 30 de Agosto de 2008

Músicas e Músicos - Modos de Relação

Inicio a publicação deste blogue sugerindo Músicas e Músicos - Modos de Relação, dissertação de doutoramento de Luís Melo Campos elaborada no âmbito do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em 2007. Lançada já este ano, em livro, pela Celta Editora, esta obra de inegável interesse foi elaborada com o auxílio de músicos portugueses consagrados provenientes de numerosas áreas musicais.

Consultei-a pela primeira vez na livraria do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, no fim-de-semana passado, mas, estranhamente, não descobri qualquer referência à mesma na Internet que não fosse a indicação bibliográfica (ontem e hoje, respectivamente 29 e 30 de Agosto de 2008, o próprio site da editora encontra-se inacessível, levando-me a questionar se estará desactivado ou em actualizações). Em consulta nos sites da Fnac e da Livraria Bertrand não foi encontrada qualquer informação relativa à obra, nem mesmo uma sinopse. É pena que um trabalho destes seja objecto de tão débil (ou inexistente) estratégia de marketing.

Assim sendo, e na impossibilidade de sequer publicar a capa do livro, resta-me citar o abstract do artigo científico, publicado na revista "Sociologia-Problemas e Práticas", intitulado apenas "Modos de Relação com a Música" (CAMPOS, Luís Melo - "Modos de relação com a música". Sociologia, Problemas e Práticas. Lisboa. ISSN 0873-6529. Nº 53 (2007), pp.91-115.CIES-ISCTE / CELTA 2007), e cujo PDF está disponível para download gratuito em www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/spp/n53/n53a05.pdf:

"Apresenta-se o conceito de modos de relação com a música que, compreendendo três planos conceptuais, organiza treze dimensões analíticas susceptíveis de operacionalização para efeitos de observação de situações empíricas. Trata-se de aprofundar de modo integrado um diversificado conjunto de relações específicas às práticas musicais, tipificando qualitativamente as modalidades da sua fruição em torno de dois pólos: o essencial e o relacional. Embora construído para analisar músicos profissionais, sustenta-se que o conceito é também adequado (com adaptações) para analisar consumos musicais, assim como outras sedes de produção cultural (intelectual e artística)." O autor pode ser consultado através do email luis.campos@iscte.pt.
Dico

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Um novo desafio

Mais do que um blogue, este projecto que agora inicio visa colmatar uma grave falha da imprensa especializada portuguesa na área da música - as quase inexistentes referências a livros, documentários e filmes sobre o tema. Este blogue é a sequência lógica do que comecei por fazer nesse âmbito, com assinalável êxito, no Metal Incandescente, e que tenho tido a honra de, mais recentemente, desenvolver no blogue do programa radiofónico Música de Peso através da rubrica "Música de Peso". Aliás, alguns dos textos aqui disponíveis serão recuperados desse projecto, com a fonte devidamente enunciada. Assim, proponho-me aqui divulgar livros (biografias, enciclopédias, estudos académicos, etc.), documentários e filmes sobre música, não esquecendo CD's menos ortodoxos.

De referir que muitas das obras aqui sugeridas não têm tradução portuguesa, existindo apenas no original em inglês. Na sua maioria não se encontram disponíveis em Portugal, devendo ser encomendadas via Internet através de lojas online. Mais abrangente do que os supra citados projectos quanto aos géneros musicais retratados (além do Metal, o Rock e a Música Clássica terão aqui especial destaque, mas outros géneros serão igualmente abordados), Musicalis constituirá, espero, uma leitura aprazível para todos quantos gostam de música. Manifestem-se para dicopt@yahoo.com.
Dico