quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Mais Estórias da Música

Figura incontornável da rádio portuguesa, Luís Filipe Barros marcou toda uma geração com o lendário programa "Rock em Stock", ansiosamente ouvido pela juventude dos anos 80. O êxito do programa, que acabou por elevar Barros a ícone do éter nacional, residia não só no impressionante ritmo que o seu autor imprimia à locução mas também às fantásticas playlists, baseadas em discos importados e em seminais gravações de algumas das figuras maiores do então emergente Rock Português.

As histórias que ao longo dos anos LFB (ou "Berros", como se tornou conhecido) contou sobre música punham a nu as fragilidades e loucuras dos grandes ícones das massas, tornando-se rapidamente lendárias e proporcionando às emissões de "Rock em Stock" fabulosos níveis de audiência. Desse conceito resulta agora o livro Mais Estórias da Música, com prefácio de Francisco José Viegas e edição da DisLivro.

Divertido e de leitura rápida, o volume agradará certamente aos melómanos, que nele descobrirão curiosidades e histórias nunca antes imaginadas (e algumas nunca antes contadas) de lendas do Rock como Elvis Presley, Ozzy Osbourne, The Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, Elvis Costello ou Cliff Richard, entre centenas de outros.

Infelizmente, os sucessivos atentados à língua portuguesa (na maior parte das vezes erros crassos), em especial ao nível das vírgulas (que teimam em não ocupar os seus devidos lugares) mancham a obra, a mística do autor e perturbam a leitura de forma sistemática - prova-se assim, mais uma vez, que bons profissionais de uma dada área não devem aventurar-se noutras que não dominam, pelo menos sem auxílio especializado, sob pena de fazerem asneira.

Alguns exemplos apenas: “Corria tudo pelo melhor, quando a nossa BB, se aproveitou do evento (...) - página 55, 9ª linha; “Chubby Checker, foi um verdadeiro fenómeno (...)” - página 60, penúltima linha; “ Em 1968 Gus Legend, ajudou na compsição (...)” - página 70, 14ª linha; “As histórias dos fãs de Ozzy não se ficam atrás das suas, sendo tudo, menos banais.” - página 162, 14ª linha. Se a isto juntarmos fenómenos como “Uniceff” (atenção aos dois “f”), na primeira linha da página 105, ficamos com uma visão mais ou menos abrangente do que poderemos encontrar neste volume.

Por outro lado, uma enorme percentagem dos textos começa sem que seja indicado o grupo/artista a que dizem respeito, tendo o leitor que consultar o último parágrafo (a seguir ao qual se encontra identificado o sujeito e respectivo site) ou o índice para saber a quem se refere a prosa. Nada intuitivo, portanto. Finalmente, o ritmo de leitura é quebrado de forma quase sistemática por parágrafos sem razão de existir. Uma edição e revisão cuidadas são altamente aconselháveis para uma eventual nova prensagem.
Dico

Luís Filipe Barros assina de segunda a sexta-feira a rubrica "Outras Histórias da Música" (01:40/ 06:40/ 08:55), na Antena 1, podendo também ser ouvido entre as 00h00 de sexta-feira e a 01h00 de sábado (com repetição às 17h00) no programa "Ondas Luisianas".

quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Metal, Rock, and Jazz: Perception and the Phenomenology of Musical Experience

Metal, Rock, and Jazz: Perception and the Phenomenology of Musical Experience, ambicioso estudo académico de Harris M. Berger, analisa quatro diferentes cenas musicais do estado norte-americano do Ohio entre 1992 e 1993: o Hard Rock e o Jazz Afro-americano em Cleveland, por um lado; e o Death Metal e o Jazz Euro-americano em Akron, mostrando como os executantes se relacionavam com o universo sonoro na criação de experiências musicais inovadoras.

Mas, ao contrário da perspectiva meramente académica da maioria dos estudos anglo-saxónicos sobre música, esta obra baseia-se num intenso trabalho empírico, baseado na observação participante, de que resultaram inúmeras entrevistas em profundidade. As descrições pormenorizadas do quotidiano dos bares de Metal e dos clubes de Jazz então existentes naquelas localidades certamente apaixonarão, também, os leitores.

Destaque para as entrevistas com Tim "Ripper" Owens (actualmente vocalista de Yngwie Malmsteen, Hail!, Beyond Fear e Charred Walls of the Damned), na época em início de carreira e mais tarde vocalista de bandas como Iced Earth e Judas Priest, que, a par de outros executantes, partilha algumas das suas mais importantes experiências enquanto músico, simultaneamente desafiando as noções tradicionais de harmonia e estrutura musical.

Recorrendo a conceitos teórico-práticos, Berger mostra a percepção musical como algo intrínseco à sociedade, residindo nesta concepção um dos principais motivos de interesse da obra, incontornável dos pontos de vista artístico, social e lúdico.
Dico

Texto originalmente publicado no blogue Música de Peso

sábado, 30 de Maio de 2009

O Efeito Mozart

É do conhecimento geral a magia exercida pela música na vida humana, a forma como determina o comportamento, humor e até sentimentos da espécie. O que ninguém sabia, até 1993, é que a música melhora o nosso desempenho em tarefas cognitivas que exigem competências espácio-temporais. A esta descoberta e suas técnicas de aplicação atribui-se o nome de "Efeito Mozart", já que a obra do compositor austríaco foi a primeira a revelar-se excepcionalmente eficaz para tratar o corpo, a mente a alma. Mas essa não é a principal razão.

Como se escreve na página 51 do livro, "Porque não chamar aos poderes transformadores da música o Efeito Bach, o Efeito Beethoven, ou o Efeito Beatles? É meramente por Mozart ser mais estimado do que génios como Beethoven, Gershwin ou Louis Armstrong? Ou a sua música tem propriedades únicas, despertando reacçõs universais que só agora se prestam a ser medidas?"

A resposta, inequívoca, vem logo a seguir. "Tomatis colocou as mesmas questões. E constatou, repetidamente, que independentemente dos gostos do ouvinte ou exposição prévia ao compositor, a música de Mozart invariavelmente acalmava os ouvintes, melhorava a percepção espacial e permitia-lhes expressarem-se com mais clareza - comunicando simultanemanete com o coração e a mente. Verificou que Mozart obtinha indiscutivelmente os melhores resultados e reacções a longo prazo (...). Claramente, os ritmos, melodias e altas frequências da música de Mozart estimulam e carregam as regiões criativas e motivadoras do cérebro. Mas talvez a chave da sua grandeza seja o facto de o som ser tão puro e simples." (...)

Na página seguinte, o autor avança uma provável explicação para os magníficos resultados da obra do compositor neste âmbito: (...) "«Ele tem um efeito, um impacto, que os outros não têm. Excepção entre excepções, ele tem um poder libertador e, diria mesmo regenerador. A sua eficácia excede de longe o que observamos nos seus antecessores (...) nos seus contemporâneos ou nos seus sucessores.»"

Aliás, "o poder único e invulgar da música de Mozart brota provavelmente da sua vida, especialmente das circunstâncias que roderam o seu nascimento. Mozart foi concebido num espaço raro. A sua existência pré-natal foi diariamente imbuída de música, especialmente dos sons do violino do pai, que quase de certeza ampliaram o seu desenvolvimento neurológico e despertaram os ritmos cósmicos in utero. O pai era um kapellmeister, ou director musical, em Salzburgo e amão, filha de um músico, desemepnhou toda a vida um papel na sua educação musical, começando com canções e serenatas durante a gravidez. Devido a este ambiente musical superior, Mozart nasceu já saturado de música - moldado por ela."

Não se julgue, porém, que só a Música Clássica em geral e a de Mozart em particular encerram propriedades terapêuticas. Sabe-se hoje que, independentemente do género, a música constitui uma preciosa ferramenta para tratar o corpo, fortalecer a mente e potenciar a criatividade.

Da autoria de Don Campbell e lançado em Portugal pela Estrela Polar, O Efeito Mozart é um clássico da musicoterapia, mas também do autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Uma obra interessantíssima, de leitura obrigatória para quem pretende conhecer-se melhor e sentir na pele as qualidades terapêuticas da música.
Dico

segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Rock Stars

Lançada em Setembro de 1983 pelo Círculo de Leitores, esta obra documenta fotograficamente cinco anos de concertos Rock em Portugal (de 1978 a 1982). O devido enquadramento sócio-cultural é feito sob a forma de um interessantíssimo prefácio e retrata um país na ressaca do 25 de Abril.

Em Rock Stars - Cinco Anos de Rock em Portugal,de Ana Rocha e Fernando Peres Rodrigues, somos transportados numa viagem nostálgica à época em que as grandas bandas internacionais começavam timidamente a deslocar-se ao canto Sul da Europa, protagonizando espectáculos históricos. Desde as primeiras visitas das Girlschool, Police, Ian Gillan Band, Duran Duran, Status Quo, Supertramp, Iggy Pop ou The Tubes, passando pelas deslocações únicas, até hoje, dos UFO, Rainbow, Huriah Heep, Thin Lizzy ou Nazareth, passando pelos Ramones, Chuck Berry, Camel, Stranglers, Cheap Trick, Clash ou Pearl Harbour, este livro pioneiro recorda-nos momentos inesquecíveis ou faz-nos simplesmente imaginá-los.

Descontinuado e, portanto, já só disponível em bons alfarrabistas, Rock Stars tem capa dura, formato A4 e 132 páginas. Esta obra teve o mérito de iniciar a minha cultura musical, numa fase em que havia descoberto o Heavy Metal há apenas um ano. De consulta obrigatória para melómanos do Rock.
Dico

domingo, 24 de Maio de 2009

Editorial

Editorial
Antes de mais, redimo-me perante todos os leitores/cibernautas pelos vários meses de stand-by que o Musicalis viveu. Foram várias as circustâncias que ditaram esta hibernação forçada, mas todas já estão sanadas e as sugestões de livros, filmes, documentários, revistas, jornais e sites sobre música vão regressar com regularidade ao Musicalis, desde já. Fiquem então com a biografia de Bruce Dickinson, vocalista dos Iron Maiden.
Dico


Bruce Dickinson: Flashing Metal with "Maiden" and Flying Solo é a incrível biografia do mítico vocalista dos Iron Maiden, cuja carreira musical abrange ainda os Samson, uma das primeiras bandas da New Wave Of British Heavy Metal (NWoBHM) e uma bem sucedida carreira a solo.

Mas a contagiante energia do músico, a par da sua enorme cultura e inteligência confere-lhe uma visibilidade que ultrapassa em muito os palcos – na rádio, o pequeno grande homem leva a cabo, há anos, um programa de autor na rádio digital BBC 6Music. Na literatura distingue-se já como autor de best-sellers de ficção e de História, tendo igualmente apresentado programas nos canais televisivos Discovery Channel e Sky One.

Além disso, já alcançou os lugares cimeiros em importantes campeonatos de esgrima e é actualmente comandante da companhia área comercial Astreus, num de cujos aviões se fez deslocar com toda a banda na mais recente digressão, que no ano passado aterrou em Lisboa para o Super Bock Super Rock.

Portanto, este fantástico livro descreve a apaixonante personalidade e capacidade de trabalho do homem que nunca pára através uma cuidada biografia e de entrevistas exclusivas que percorrem toda a sua carreira nas diversas vertentes. Indispensável para os verdadeiros fãs.
Dico

segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Tour: Smart: and Break the Band

Tour: Smart: and Break the Band, é a bíblia incontestada para qualquer banda que pretenda conhecer o mundo das digressões e fazer-se à estrada minimizando a infinidade de eventuais imprevistos e problemas.

Magistralmente escrito por Martin Atkins, antigo baterista de bandas como P.I.L., Killing Joke, Nin Inch Nails ou Ministry, Tour: Smart: and Break the Band apresenta-nos 564 páginas de preciosos conselhos, testemunhos, dicas e truques sobre planeamento de rotas, transportes, contactos com promotores e jornalistas, roadies, escolha das salas e cidades onde actuar, realização de orçamentos, agendamento de espectáculos, marketing, contratos, sexo seguro, utilização ponderada de álcool e drogas, etc.

O autor recorre sempre a exemplos, imagens, fotos, mapas, gravuras, esquemas e outras ferramentas gráficas imprescindíveis a uma rápida e eficaz compreensão da mensagem. O destaque a negrito, nas margens, de frases-chave, constitui outra estratégia bem conseguida. Extremamente bem organizado, Tour: Smart: and Break the Band não esquece o mais ínfimo pormenor que, para um colectivo em início de carreira, poderá revelar-se catastrófico.

Mas, ciente de que esta obra não é definitiva, Atkins criou o site www.stouring.com, com actualizações ao livro e um participadíssimo fórum. Leitor, se tem uma banda e planeia levá-la para a estrada não necessita de aprender com os seus próprios erros -aprenda com os do autor.
Dico

In http://musicadepeso.blogspot.com

sábado, 20 de Setembro de 2008

Memórias do Rock Português

Rui Veloso é o "pai" do Rock Português, certo? Errado! "Errado?", perguntam, incrédulos, os leitores deste blogue. Com efeito, no final dos anos 50 e toda a década de 60 surgiram inúmeros grupos Ié-Ié (a versão portuguesa do Rock'n'Roll importado de Inglaterra e dos Estados Unidos) que ganharam fama nos concursos e bailes organizados na época, tendo muitos chegado a gravar singles e EP's com assinalável êxito. Diamantes Negros, Ekos, Conjunto Mistério, Os Claves, Zoo, Sheiks, Beatnicks, Shadows Portugueses, Tártaros, Titãs ou Jotta Herre são algumas dessas referências.

Se não escamotearmos ainda artistas como Aníbal Miranda, Os Plutónicos (mais tarde conhecidos como Ferro & Fogo), Quarteto 1111 ou Pop Five Music Incorporated e, ao entrar nos anos 70, recordarmos os Aqui D'El Rock, Ananga-Ranga, Tantra, Petrus Castros ou Psico facilmente percebemos que há uma longa história do Rock luso pré-Rui Veloso. É isso mesmo que verificamos na terceira edição, revista e aumentada, de Memórias do Rock Português (que possuo com dedicatória), escrito e editado pelo escritor / professor Aristides Duarte.

Com prefácio de António Manuel Ribeiro, líder dos UHF, a obra apresenta uma breve história do Rock nacional, desde os primórdios à actualidade. Contudo, as 54 biografias seleccionadas representam a maioria dos conteúdos. Para enriquecer ainda mais o livro, Duarte incluiu várias fotos, capas de discos, bilhetes e cartazes de espectáculos, recortes de jornais e uma rigorosa selecção da discografia essencial do Rock Português. De referir que o segundo volume da obra - obrigatória para compreender as raízes e desenvolvimento do Rock em terras lusas - se encontra já em preparação. Enquanto o mesmo não chega impõe-se uma visita ao blogue Rock em Portugal, que Aristides Duarte publica há mais de três anos. O autor pode ser contactado através do e-mail akapunkrural@gmail.com.
Dico

sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Metal: A Headbanger's Journey / Global Metal

Metal: A Headbanger's Journey, é um documentário resultante de apurada investigação do antropólogo canadiano Sam Dunn acerca das origens e impacto sócio-cultural do Som Eterno (vulgo Metal). Para cumprir esse desígnio Dunn visitou o Reino Unido, a Alemanha, a Noruega e os Estados Unidos na companhia de Scot McFadyen, guionista e realizador de cinema.

Estreado no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá, em 2005, e lançado no ano seguinte em DVD simples e duplo, Metal: A Headbanger’s Journey constitui uma rigorosa investigação académica e jornalística, em que se tenta perspectivar, de dentro para fora – e de forma lúdico-didática -, a visão que os fãs de Metal em particular e a sociedade em geral têm do género.

Intensa e empolgante, a obra apresenta, no DVD 1, vários capítulos, que abordam assuntos como as origens do termo "heavy metal", as características da sonoridade, as suas raízes, o comportamento dos fãs, a cultura do estilo, a censura a que é submetido (com menção obrigatória ao PMRC), género e sexualidade (Glam Metal, machismo e o advento das bandas femininas são os temas abordados) ou religião e satanismo.

O DVD 2 apresenta a árvore genealógica do género, com a história dos vários subgéneros, um mini-documentário acerca do Black Metal norueguês (que aborda as origens do estilo, a mitologia nórdica e o satanismo, dando especial ênfase aos trágicos acontecimentos do início dos anos 90), a íntegra das entrevistas com músicos famosos disponíveis no DVD 1 e um trailer. Igualmente disponível está a banda sonora do filme, com 16 temas de outras tantas bandas. Mais informações no site ou no MySpace oficial.

Já a rodar nalguns cinemas europeus e não só está Global Metal, a sequela de Metal: A Headbanger's Journey. Nesta segunda parte – ainda não disponível em DVD mas sobre a qual certamente falaremos quando chegar ao mercado – Dunn e McFadyen propõem-se avaliar o impacto cultural e social da música pesada em culturas longínquas. Para isso, os investigadores exploram as cenas metaleiras da Ásia, América do Sul e Médio Oriente.

Do Death Metal indonésio ao Black Metal chinês, sem esquecer o Thrash Metal iraniano, Global Metal apresenta uma enorme riqueza musical proveniente de sociedades reprimidas, dominadas pela fome, terrorismo, corrupção, fanatismo religioso e conflitos armados. O cenário ideal para a emergência de fervorosos cenários underground. Já disponível em duplo CD, a banda sonora do documentário inclui 18 temas. Mais informações em www.myspace.com/globalmetalsoundtrack e www.myspace.com/globalmetalfilm.
Dico

In http://musicadepeso.blogspot.com

quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

Cinemateca exibe ciclo de cinema documental sobre música

Começa hoje, na Cinemateca, o ciclo de cinema documental "Rock numa noite de Verão",com o documentário "Monterey Pop". No total, são 12 filmes sobre música, exibidos na esplanada da Cinemateca entre quinta-feira e sábado à noite. As películas abrangem várias épocas da Pop/Rock mundial, tendo os Pink Floyd, The Rolling Stones, Led Zeppelin, Jimmi Hendrix e The Beatles alguns dos protagonistas destes documentários e filmes concerto. A programação encontra-se disponível aqui.

Ópera

Numa narrativa de inegável beleza, Ópera, da autoria de Alan Riding e Leslie Dunton-Downer, abrange quatro séculos de história no teatro musical, entre o fim do Renascimento italiano e a actualidade. Dirigida a leigos, visto que apresenta sinopses de mais de 160 óperas de todo o mundo, mas também a conhecedores, dadas as suas características enciclopédicas, a obra cumpre na perfeição o objectivo dúplice que encerra.

Rigorosos e detalhados, embora resumidos, os textos constituem uma mais-valia de peso neste livro, marcado por uma rara beleza gráfica. As fotos, ilustrativas de algumas das mais importantes obras, captam sem mácula a alma de representações inesquecíveis em prestigiadas salas mundiais, impressionando no realismo que transmitem. Inserido na colecção "Guias Essenciais" da DK, Ópera inclui 402 páginas de requinte, bom gosto, apresentação luxuosa e conteúdos magistralmente seleccionados.
Dico

sábado, 30 de Agosto de 2008

Músicas e Músicos - Modos de Relação

Inicio a publicação deste blogue sugerindo Músicas e Músicos - Modos de Relação, dissertação de doutoramento de Luís Melo Campos elaborada no âmbito do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em 2007. Lançada já este ano, em livro, pela Celta Editora, esta obra de inegável interesse foi elaborada com o auxílio de músicos portugueses consagrados provenientes de numerosas áreas musicais.

Consultei-a pela primeira vez na livraria do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, no fim-de-semana passado, mas, estranhamente, não descobri qualquer referência à mesma na Internet que não fosse a indicação bibliográfica (ontem e hoje, respectivamente 29 e 30 de Agosto de 2008, o próprio site da editora encontra-se inacessível, levando-me a questionar se estará desactivado ou em actualizações). Em consulta nos sites da Fnac e da Livraria Bertrand não foi encontrada qualquer informação relativa à obra, nem mesmo uma sinopse. É pena que um trabalho destes seja objecto de tão débil (ou inexistente) estratégia de marketing.

Assim sendo, e na impossibilidade de sequer publicar a capa do livro, resta-me citar o abstract do artigo científico, publicado na revista "Sociologia-Problemas e Práticas", intitulado apenas "Modos de Relação com a Música" (CAMPOS, Luís Melo - "Modos de relação com a música". Sociologia, Problemas e Práticas. Lisboa. ISSN 0873-6529. Nº 53 (2007), pp.91-115.CIES-ISCTE / CELTA 2007), e cujo PDF está disponível para download gratuito em www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/spp/n53/n53a05.pdf:

"Apresenta-se o conceito de modos de relação com a música que, compreendendo três planos conceptuais, organiza treze dimensões analíticas susceptíveis de operacionalização para efeitos de observação de situações empíricas. Trata-se de aprofundar de modo integrado um diversificado conjunto de relações específicas às práticas musicais, tipificando qualitativamente as modalidades da sua fruição em torno de dois pólos: o essencial e o relacional. Embora construído para analisar músicos profissionais, sustenta-se que o conceito é também adequado (com adaptações) para analisar consumos musicais, assim como outras sedes de produção cultural (intelectual e artística)." O autor pode ser consultado através do email luis.campos@iscte.pt.
Dico

sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Um novo desafio

Mais do que um blogue, este projecto que agora inicio visa colmatar uma grave falha da imprensa especializada portuguesa na área da música - as quase inexistentes referências a livros, documentários e filmes sobre o tema. Este blogue é a sequência lógica do que comecei por fazer nesse âmbito, com assinalável êxito, no Metal Incandescente, e que tenho tido a honra de, mais recentemente, desenvolver no blogue do programa radiofónico Música de Peso através da rubrica "Música de Peso". Aliás, alguns dos textos aqui disponíveis serão recuperados desse projecto, com a fonte devidamente enunciada. Assim, proponho-me aqui divulgar livros (biografias, enciclopédias, estudos académicos, etc.), documentários e filmes sobre música, não esquecendo CD's menos ortodoxos.

De referir que muitas das obras aqui sugeridas não têm tradução portuguesa, existindo apenas no original em inglês. Na sua maioria não se encontram disponíveis em Portugal, devendo ser encomendadas via Internet através de lojas online. Mais abrangente do que os supra citados projectos quanto aos géneros musicais retratados (além do Metal, o Rock e a Música Clássica terão aqui especial destaque, mas outros géneros serão igualmente abordados), Musicalis constituirá, espero, uma leitura aprazível para todos quantos gostam de música. Manifestem-se para dicopt@yahoo.com.
Dico