Domingo, 19 de Setembro de 2010

Os extremos tocam-se

Este texto foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico

Para nos falar da vida louca na estrada quem melhor do que os lunáticos Mötley Crüe? A banda fá-lo, e muito bem, através da sua biografia oficial, intitulada The Dirt – Confessions of the World’s Most Notorious Rock Band. Escrito pelo jornalista do “New York Times” Neil Strauss com o auxílio da banda, managers, promotores e representantes da editora, o livro aborda em pormenor a infância e juventude dos membros do grupo, bem como a formação, ascenção e queda do mesmo. The Dirt relata bem o deboche, toxicodependência, alcoolismo, violência, insanidade, êxito e desgraça que foram as vidas de Vince Neil (voz), Mick Mars (guitarra), Nikki Sixx (baixo) e Tommy Lee (bateria), separadas ou em conjunto, até ao final dos anos 90. Da vertigem do êxito planetário às tragédias pessoais tudo é minuciosa e despudoradamente relatado nesta obra essencial. Um segundo volume estará em prepração, versando a história do grupo na última década.

Do Glam Metal repleto de laca passamos ao extremo do Death/Grind porco e brutal. Escrito por Albert Mudrian, jornalista profissional e editor desde 2004 da revista norte-americana “Decibel”, Choosing Death – The Improbable History of Death Metal and Grindcore aborda as raízes destes géneros musicais, estabelecidas na vaga Punk do final dos anos 70. Desde o Grind britânico, passando pelo Death Metal brutal da Flórida ou o Death melódico da Suécia, terminando nas sonoridades modernas praticadas por bandas como os Arch Enemy ou Hate Eternal, a retrospetiva histórica apresentada na obra não poderia ser mais completa.

Detalhado, intenso e muito bem escrito, Choosing Death apresenta declarações inéditas de figuras centrais na história do Death/Grind: músicos, produtores, A&R’s e outras personalidades sem as quais o género não seria o que é hoje. Uma obra de leitura essencial para fãs de música extrema que desejem aprofundar os seus conhecimentos musicais.
Dico

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